Como supero a culpa materna e abro espaço pra mim na rotina
Quase 6h da manhã, ainda escuro, casa em silêncio… Ninguém pede água, ninguém pergunta onde está o tênis, ninguém quer ajuda com a lição, ninguém me chama de mãe.
Por muito tempo, eu achei que acordar às 6h para treinar era sobre disciplina, sobre ser "aquele tipo de pessoa" que dá conta de tudo com um sorrisão no rosto. Hoje eu sei que não é isso, nem perto disso. Ter uma rotina de hábitos saudáveis na maternidade é sobre proteger um pedacinho do dia antes que ele vire trabalho, casa, filho, mais filho, calça que ninguém quer vestir e tarefa escolar para terminar, tudo ao mesmo tempo e tudo para ontem.

A culpa materna de "roubar" um tempo pra mim
Ninguém te avisa isso antes de virar mãe, mas uma das partes mais difíceis não é a falta de tempo em si: é a culpa de pegar um pedacinho dele para você.
Eu ainda sinto uma pontinha disso quando saio cedo para treinar. É como se eu estivesse “roubando” um tempo que deveria ser dos meus filhos, do trabalho, da casa... De todo mundo, menos meu. Fico pensando que deveria estar preparando o café da manhã, finalizando aquele projeto ou pendurando a roupa no varal.
Existe também aquela sensação contínua de dever: a obrigação de deixar tudo pronto, a vida de todos mais fácil e tudo milimetricamente planejado para que a minha ausência não seja sentida nem vire um problema.
Mas presta atenção nisso (porque eu demorei anos para entender): eu não sou uma mãe melhor porque abro mão de mim inteira. Sou uma mãe melhor quando volto para casa com a cabeça no lugar.
E olha, isso não tem nada a ver com a quantidade de tempo. Tem a ver com decidir qual hora do dia, por menor que seja, é inegociável para você.
Como dar conta de tudo, sendo mãe? (Spoiler: Ninguém dá!)
Eu sei, você abriu esse texto querendo saber como dar conta de tudo, não é? Sinto em dizer, mas essa fórmula não existe.
Deixa eu te contar um segredo que pouca gente fala em voz alta: ninguém dá conta de tudo. Nem eu, que estou aqui escrevendo sobre organização da rotina materna! Por aqui, acontece direto de a louça ficar para o dia seguinte, o e-mail atrasar, a roupa ser lavada do jeito errado ou o almoço virar o que sobrou na geladeira. E, pasme: está tudo bem.
O que muda o jogo não é ter mais tempo (esse, aliás, nunca sobra, pode desistir dessa ideia). É criar uma estrutura de hábitos com um espaço fixo e não negociável. É esse pedacinho individual que sustenta todo o resto de pé.
Encontre seu momento na rotina
Pode não ser às 6h da manhã, por aqui também acontece em outros momentos! ;) Pode ser um banho de 10 minutos com a porta fechada, o trajeto sozinha até o trabalho ou os 5 minutos de café ainda quente antes de a casa virar um redemoinho.
Não importa o tamanho desse bloco de tempo. Importa que ele seja seu e que, durante esses minutos, ninguém roube a sua paz.
P.S.: Meu traço tóxico é exigir que meus filhos me chamem de "mamãe" até quando forem adultos. Porque sim: eu amo ter um tempo só para mim (me faz bem, fico mais calma), mas amo voltar para eles e ser recebida com um sonoro "Mamãe!". Vai entender, né?
Agora me conta aqui embaixo: qual é a hora do dia que ainda é só sua? Ou qual momento você gostaria de resgatar para você hoje? Quero saber que não estou sozinha nessa busca!



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