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Sumi por um mês

Foto do escritor: Priscila Souza
Priscila Souza
há 7 horas
5 min de leitura

Fiquei um mês sem escrever e isso me lembrou que: constância não é linear. Entenda com Estoicismo e Terapia Cognitivo-Comportamental por que os vales fortalecem o hábito.



Por que sumi (e por que isso não é desculpa)


Quase um mês sem escrever para o blog. Eu até queria fingir que nada aconteceu e seguir meu planejamento de posts, mas resolvi trazer esse ponto aqui pra gente conversar. A Valeska Bruzzi sempre diz: "Você não é Beyoncé pra anunciar pausa ou retorno" (rs, eu acho o máximo!). Concordo com a mamys, mas nesse caso eu não quero anunciar nada, juro!

Na verdade, como aqui eu falo sobre vida real, quero justamente aproveitar o momento para falar sobre constância.


Constância não é linear: picos, vales e retomada


Constância, em qualquer área, em qualquer projeto, não é algo linear. Passamos por picos e vales, e o que constrói o seu hábito, e o reforça de verdade, é justamente passar pelo vale e retomar.


Veja bem, não é o vale que quebra a constância, é não perceber que ele faz parte do processo. A gente trata a pausa como fracasso, quando na verdade ela é só uma etapa.

Às vezes a gente imagina aquela cena perfeita, onde tudo se encaixa de forma exemplar no seu dia, mas a vida não é tão simples assim. Sem problematizar: inevitavelmente, muita coisa que está fora do nosso controle acontece o tempo todo. Hoje, por exemplo, organizei meu dia para ter tempo de fechar e enviar um relatório, voltar a escrever pro blog, antes de fazer uma pausa pra almoçar e buscar as crias na escola.


Tudo corria bem até a escola do mais velho ligar! Primeiro aquele susto de leve (sempre que a escola liga já bate uma apreensão), depois descobri que era só uma bermuda rasgada, rs. Fui eu, socorrer o adolescente, o que, obviamente, me fez reajustar a rota, reorganizar horários e atividades.


E foi exatamente isso que aconteceu com o blog: evento externo, reajuste de rota, só que em proporções maiores. Nesse período, redefinir prioridades foi essencial, porque me acalma e me ajuda a entregar o que precisa sem me culpar pelo que estou deixando de fazer, ou seja, pelos pratinhos que vão caindo pelo caminho.


O que o Estoicismo ensina sobre o que está (e o que não está) no seu controle


Não que eu seja a pessoa mais evoluída que você conhece, embora eu reconheça que estou sempre aprendendo, mas gosto de usar um ensinamento (confesso que não tenho certeza da origem exata) que diz algo mais ou menos assim: "Se a situação tem solução, não se preocupe, porque tem solução. Se a situação não tem solução, não se preocupe, porque não tem solução." Uso como guia: aceito aquilo que não posso mudar. Podendo, inclusive, não concordar ou aprovar, óbvio! E foco naquilo que eu posso fazer, mudar e, de certa forma, controlar. Eu não controlo eventos externos, mas posso controlar perfeitamente como reajo a eles e, à medida que treinamos essa postura, as situações que nos afetam vão deixando de nos paralisar.


A filosofia estoica aborda exatamente essa visão: não é o que acontece que nos afeta, mas sim a nossa interpretação dos fatos. Nossa interpretação vem das nossas experiências e crenças, elas moldam toda a forma como vemos o mundo, e é justamente essa forma de interpretar e viver a vida que tanto nos afeta, para o bem e também para o mal.


"Epicteto resumiu isso há quase dois mil anos: "Não são as coisas que nos perturbam, mas a opinião que temos delas." — Epicteto, Enquirídio, capítulo V


A ciência por trás da constância: o que a Terapia Cognitivo-Comportamental explica



A interpretação que fazemos das coisas e eventos, afeta nossas emoções e, por consequência, nossas ações. E por fim, o modo como nos comportamos e agimos tem influência sobre nosso padrão de pensamentos.


Para a Terapia Cognitivo-Comportamental, essa é a essência do modelo cognitivo, que se estrutura em três camadas, vamos assim dizer: o pensamento automático, que é a camada mais superficial; as crenças intermediárias; e a crença central, que é a camada mais profunda.


Isso significa que uma situação acontece, fazemos uma interpretação sobre ela, o que gera um pensamento automático, pensamento este que como o próprio nome diz é automático, apenas chega, sem refinamento, e está diretamente ligado às nossas crenças. 

Estes pensamentos, por sua vez, desencadeiam emoções, afetam nosso comportamento e, por vezes, até provocam reações fisiológicas.


Isso tudo me traz de volta ao ponto em que eu não sou um ser tão evoluído assim, no entanto, uma vez que eu sei de tudo isso, não posso simplesmente fingir que não sei e continuar sendo afetada negativamente por eventos sobre os quais não tenho nenhum controle, entende?


Não que seja fácil, pelo contrário. Mas eu acredito muito que temos escolhas, e que permanecer no sofrimento também é uma escolha, porque, sob essa perspectiva, parte do sofrimento pode sim ser atribuída ao fato de ficarmos presos àquilo que não temos controle ou não podemos mudar.


Como aplicar isso no dia a dia: as duas perguntas da metacognição


Ok, imagino que você já deve ter pegado o fio da meada e agora quer saber o que fazer pra desenvolver esse comportamento de adaptação, certo?


Ora, basta vigiar! Sim: perceber o que se passa na sua cabeça, perceber o seu fluxo de pensamentos, pensar sobre os seus próprios pensamentos. Isso, inclusive, tem um nome bem bonito: metacognição.


Se você quer reagir de um jeito diferente, te convido a se perguntar, na próxima vez que uma situação te afetar:

●        Que pensamentos estão passando pela minha cabeça?

●        Que tipo de emoção esses pensamentos geram em mim?


Quando a gente começa a investigar, também começa a entender e aí consegue fazer adaptações. Assim, vamos confrontando nossos pensamentos aos poucos e criando novos cenários e novos comportamentos também.


O que isso tem a ver com o blog (ou com seu treino)?


Explico: ao longo desse mês, precisei, inevitavelmente, me dedicar a outros projetos e situações, e precisei escolher onde colocar minha energia. Foi aí que abri mão de ler e escrever pro blog. Minha energia estava concentrada em outros aspectos da minha vida, e saber disso permitiu me dedicar a eles sabendo que, num futuro próximo, eu poderia retomar essa atividade que, pra mim, é tão prazerosa: estudar e vir aqui escrever pra vocês, compartilhando um pouquinho do que sei e do que sou.


Nesse período, apesar de não escrever, usei momentos de descompressão pra pesquisar os temas sobre os quais vocês vão ler nos próximos textos, organizei tudo no Notion, e já estava pronta pra tirar um tema da gaveta e falar sobre ele, quando tive a ideia de usar o momento para reforçar que ser constante não significa escrever 1 texto por dia, todos os dias. Pode ser que eu escreva dois por semana, ou dois por mês. Assim como pode ser que, num determinado mês, eu treine 6x na semana, e no outro 4, um dia sim, outro não e ainda assim retomar e ser constante.


O que importa é saber qual é o seu objetivo naquele momento, quais são as suas prioridades e, principalmente, importa que você consiga bancar as suas escolhas sem negligenciar quem você é. Importa que você esteja crescendo um pouco a cada dia, aprendendo e abrindo mão de antigas crenças e limitações.


Porque quem não está crescendo está, inevitavelmente, morrendo.


 
 
 

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