Viajei com amigas, mas não levei a culpa na bagagem
Viajei com duas amigas e não levei a culpa na bagagem! Sim, você não leu errado e quer saber? Foi um final de semana incrível!

Tudo começou no início de junho, achamos a prova, nos inscrevemos e já compramos a passagem e reservamos hospedagem, pá pum, tudo resolvido em menos de uma semana, depois foi só esperar o grande dia. Viagem de ida marcada para sexta e retorno no próprio domingo; me parecia uma excelente ideia. Viagem curtinha, só para a corrida praticamente.
Eu não fiquei pensando muito nela ao longo dos meses, segui meus treinos normalmente, na época estava terminando um ciclo para os 30k que eu corri em julho, fora que a vida seguiu normalmente: o rolê de sempre, casa, filhos, trabalho, uma demissão no meio do caminho, um novo trabalho. Aprendi a encarar isso como: é a vida acontecendo.
Hora de fazer as malas!
Fazer as malas foi fácil, como é estranho fazer uma única mala e não quatro rs. Não ter que pensar em mil coisas chega a me deixar um tanto perdida, a gente se acostuma tanto com esse turbilhão de emoções e afazeres, que sair da rotina chega a ser estranho.
Malas prontas e tudo certo, coração tranquilo até deixar a mais nova na escola e ela me abraçar muito forte e dizer: vou sentir saudades.
A culpa materna que eu decidi deixar para trás
Ah, minha filha! Eu também senti saudades, é uma mistura muito grande de sentimentos. Claro que chorei, claro que doeu, claro que me perguntei se deveria mesmo fazer isso. Até eu mandar mensagem para a professora e descobrir que a lindinha entrou sorrindo na sala de aula, brincou com as amigas e àquela altura já nem estava mais pensando em mim. Veja bem, não estou invalidando os sentimentos da minha filha, aliás a primeira coisa que ela me disse quando eu voltei foi que sentiu saudades. Eu também senti, nos falamos durante a viagem, mas eles estavam bem, estavam com o papai. Eu me permiti viver aquela experiência nova.
A culpa? Bem, preferi deixar ela de lado e mirei na gratidão pela oportunidade de viver aqueles dias.
Engraçado que nós três, eu e minhas amigas, estávamos ali dividindo essa experiência com sentimentos semelhantes: deixar nossa casa, filhos e maridos e ir viajar sozinhas, pensar em nós antes de pensar em alguém. Tudo parece, de certo modo, errado.
Chegamos na Bahia, fomos direto para nosso apartamento, deixamos as malas e olhamos uma para a outra tentando absorver o tanto de tempo livre que teríamos. Foi engraçado perceber que, nas primeiras horas, estávamos nos justificando por qualquer coisa. Até sermos lembradas umas pelas outras de que estava tudo bem, estávamos tranquilas e ninguém precisava se justificar por nada.
Nosso primeiro dia foi de sair, ver o mar, comer um peixe, afinal estávamos na praia! Fazer supermercado e ir buscar nosso kit. Uma voltinha no shopping, kit na mão. Era só procurar um lugarzinho pra jantar… nossa sexta terminou assim: jantamos no Mamma Jamma, com aquele cheirinho maravilhoso de pizza exalando o local, rs, mas como boas corredoras, acabamos com uma massa e fomos para casa dormir.
O tirano interior segundo a psicologia junguiana
O final de semana foi de corrida. Eu estava feliz e agradecida por fazer minha primeira prova em um estado diferente, com duas amigas queridas me acompanhando, dividindo aquela experiência. Eu me lembrei a todo momento de agradecer e estar inteira ali.

É engraçado como às vezes nosso tirano interior, sabe aquela voz que te joga pra baixo? Aquela voz que te julga e diz que você não deveria fazer nada disso? Pois é, descobri que, essa voz segundo a psicologia junguiana, se chama Animus, esse aspecto masculino do meu (do seu também) inconsciente, que quando não integrado, pode mesmo ser nosso carrasco interior, oprimindo nossas ações. Ele me dizia que eu deveria estar em casa, cuidando dos meus filhos, que eu deveria estar produzindo e não viajando para me divertir com amigas, que coisa?! No entanto, dessa vez não dei espaço a ele e me mantive ali apreciando cada uma das oportunidades do momento presente.
Tempo pra mim: o que aprendi nesses dias
Desde poder ir à praia e deitar com calma, ler um livro até fazer absolutamente nada em plena tarde de sábado deitada no sofá… aliás fomos fazer uma massagem relaxante, tão relaxante que dormi na maca e voltei para o apê leve como nunca. Ter tempo pra mim tem se tornado algo que eu valorizo e busco, seja no treino de corrida ou em momentos em que estou em casa sozinha, por exemplo.
Para fechar essa viagem no fim da prova do domingo fomos presenteadas com show do grupo É o Tchan! No auge do grupo eu tinha 10 anos, eu dançava em casa vendo eles pela TV. Corta para a Priscila, de quase 40 anos, tendo a oportunidade de vê-los de pertinho. Foi nostálgico, eu me diverti e minha criança interior também.

Sai de SP, com o plano de curtir a prova, não tinha um tempo alvo em mente, eu queria apenas correr leve e ter tempo de admirar a vista. E, puxa, a orla de Salvador estava maravilhosa: a brisa que vinha do mar, o sol a vibe dos corredores e das pessoas que estavam ali torcendo por seus amigos e familiares. Tudo fez daquele momento algo mágico.
Seria muito ingrato não perceber tudo isso, deixar minha família em casa e não aproveitar nada disso.
Eu não levei a culpa na mala e voltei cheia de saudade e felicidade por ter vivido momentos especiais. Voltei pra eles cheia de amor, agradecida por eles terem também me permitido passar por estes dias sem cobrança. Isso me faz perceber que minha felicidade também é a felicidade dos meus.
Ter para quem voltar tornou tudo mais especial.
As fotos desse fim de semana com as meninas estão lá no Instagram @priisouzaoliveira, corre lá pra ver.



Comentários